Celulite. O que é?

A celulite é um termo utilizado mundialmente para se referir a um quadro clínico que está presente em praticamente 98% das mulheres em alguma fase da vida.

Se é mulher, mesmo que seja tendencialmente magra, as probabilidades de ser afectada pela celulite são de 90%, sobretudo se for caucasiana.

Este quadro caracteriza-se por alterações do relevo da pele que conferem à superfície desta um aspecto de casca de laranja.


O termo é correcto?

Na realidade, o termo “celulite” é incorrecto para esta afecção, mas é assim vulgarmente conhecido.

Por sua vez, existe um outro termo que os especialistas utilizam para este problema, a “lipodistrofia”, que também parece não ser o mais adequado para definir o tecido adiposo “celulítico” porque este permanece normal na sua estrutura.

Como, por seu lado, existe ao nível do tecido conjuntivo (local onde se instala) uma grande retenção de líquidos, há quem prefira o termo “hidrolipodistrofia”.

Alguns autores utilizam ainda o termo “esteatomeria”, que se dirige essencialmente aos depósitos de gordura que se instalam na zona externa das coxas e nádegas e que conhecemos com o nome de “culote”.

Uma vez que, como se verifica, não existe um termo unanimemente reconhecido, adaptou-se esta expressão por ser a mais vulgar e reconhecida por todos.

O que é?

É a consequência de todo um conjunto de alterações ou modificações que se verificam ao nível do tecido conjuntivo subcutâneo.

Tais alterações são provocadas por:

- uma vasodilatação provocada pela estase venosa e linfática, ou seja, pela lentidão da circulação do sangue e linfa que se verifica a esse nível, não irrigando convenientemente a zona e, por isso, dificultando as suas trocas metabólicas normais;

- uma retenção dos líquidos que se vão acumulando cada vez mais, aumentando as substâncias tóxicas; uma transformação das fibras aí existentes, o que também dificulta as trocas metabólicas entre o sangue e as células e fibras conjuntivas. Este processo conduzirá, necessariamente, à acumulação de adipócitos (células de gordura) e de toxinas celulares.

O que começa a acontecer no tecido conjuntivo?

Existe no tecido conjuntivo uma substância (a substância fundamental) que se começa a tornar cada vez mais viscosa.

Em princípio, é esta substância fundamental - que serve de intermediário importante nas trocas entre o sangue e as células - que, ficando mais espessa e viscosa, faz com que o tecido conjuntivo entre num processo de “asfixia”.

Isto conduzirá, por sua vez, à lentidão das trocas entre a circulação do sangue e da linfa e as células conjuntivas.

Em consequência deste fenómeno, os adipócitos ficam sobrecarregados de gordura, as fibras conjuntivas transformam-se e a circulação torna-se cada vez mais difícil (estase circulatória).

Por outro lado, verifica-se também uma hipertrofia das células adiposas em consequência de uma sobrecarga em triglicéridos.

Quais são os factores que mais determinam a sua existência?

- Sexo – Afecta prioritariamente as mulheres em cerca de 98% dos casos.

- Origem endócrina – Tem-se verificado que existe uma grande influência hormonal sobre a substância fundamental do tecido conjuntivo e que corresponde às funções do ovário, supra-renal, tiróidea e paratiroidea.

- Origem metabólica – Entre os factores metabólicos contam-se os problemas do metabolismo hídrico (verificando-se geralmente retenção dos líquidos) e do colesterol. Pode ainda ser influenciada pelo mau funcionamento do sistema hepático, havendo ainda a considerar a “superalimentação”.

- Outros factores – São aqueles que, de algum modo, acabam paralelamente por influenciar a formação ou agravamento da celulite. Por exemplo: profissões que exigem uma permanência do corpo na mesma posição durante muitas horas do dia (sempre em pé ou sempre sentada) e o uso de peças vestuário que dificultam a circulação de retorno (cintas elásticas apertadas, calças de ganga elástica apertada, etc.).

Quais são as principais causas?

- Hereditariedade – Tal como acontece com a acne, a obesidade e os problemas vasculares, está provado que também as descendentes de mulheres com celulite tendem a sofrer mais facilmente deste problema, pelo que devem estar atentas às suas primeiras manifestações desde muito jovens.

- Má circulação – A má circulação do sangue e a celulite estão geralmente interligadas. Quando a circulação de retorno é lenta, o sangue estagna, o que justifica que as pernas fiquem inchadas e pesadas. Ora, nas zonas onde existe pouca vascularização, aparece a celulite. Por sua vez, esta celulite vai comprimir as veias, dificultando ainda mais a circulação de retorno e entra-se num ciclo vicioso constante, levando a um agravamento do problema.

- Desequilíbrios hormonais – Neste campo são importantes três fases da vida da mulher: adolescência, gravidez e menopausa. É natural que a grande maioria das mulheres faça uma ligeira retenção de líquidos entre o 14º e o 18º dia do seu ciclo menstrual. Neste curto período é normal um ligeiro inchaço e sensação de peso nas pernas, e inchaço dos seios que pode ser acompanhado por sensação de dor.

Se nas mulheres com uma boa saúde esse excesso de líquidos que é retido acaba por ser eliminado completamente com a chegada da menstruação, nas outras estes cerca de dois litros de água (que se alojam essencialmente nas zonas dos joelhos e coxas) não são totalmente eliminados com a menstruação.

Assim, mês após mês, a água vai-se acumulando cada vez mais e vai juntar-se no tecido conjuntivo com aumento dos nódulos celulíticos. Esta tendência é sempre maior durante a adolescência, mas assume uma forma mais crítica durante a menopausa, dado que este é o período em que se verifica uma queda do nível de progesterona e importantes variações das hormonas.

- Sedentarismo – A quase total imobilidade a que se sujeitam as mulheres durante as suas obrigações profissionais faz com que os músculos não trabalhem; logo a circulação não é activada e isto contribui para a formação de celulite. O álcool e o açúcar – São dois elementos que se convertem em gordura no sangue e, por isso, contribuem para a sua formação.

- Stress - Ainda não se compreende bem como o “stress” influencia a celulite, mas sabe-se que as mulheres ansiosas têm mais.

Onde se pode localizar?

Existem zonas tendências onde se instala com maior frequência, como por exemplo: as ancas; a zona externa das coxas; nas zonas acima e abaixo dos joelhos bem como na sua região interna; nas pernas e tornozelos; na região lombar e no alto das nádegas; na região dorsal, imediatamente abaixo da zona posterior do pescoço; na zona abdominal, em especial na região abaixo do umbigo; e ainda nos braços.


Tratamentos e outros

Atualmente, tem ao seu alcance, além de produtos anticelulíticos e de formas preventivas que passam pelo desporto e pela alimentação, novas armas para a travar e combater, assentes em técnicas cada vez mais eficazes e inovadoras, a que pode recorrer.

Com recurso profissionais de saúde

Os tratamentos mais eficazes para combater a celulite são:

- Carboxiterapia. Tratamento feito através de injecções sub-cutâneaas, que vai estimular a produção de colagénio e vai melhorar a celulite.

- Endermologia. É uma sucção e uma drenagem com massagem, que obriga a mais tratamentos que o método anterior. Pode ser associada ou não à Carboxiterapia.

- Radioterapia. É um aquecimento por uma máquina que envia uma frequência rádio, aquecendo o tecido celular sem queimar a pele, fazendo renascer o colagénio, ajudando a "esticar" a pele.

FAQ’s

A pílula “provoca” celulite?

Apesar de ser recebida de uma forma muito individual de mulher para mulher, o certo é que algumas pílulas anticoncepcionais podem ser as responsáveis por uma retenção hidro-salina e aumento de peso.

Qual o verdadeiro efeito dos cremes ?

Os cremes são coadjuvantes importantes aos outros tratamentos, pois apresentam na sua composição substâncias que promovem a quebra da gordura, a estimulação do fluxo sanguíneo e a drenagem linfática, além da suavização da superfície da pele, ou o conhecido aspecto de "casca de laranja". No entanto, eles têm uma capacidade limitada de alterar a estrutura do tecido gorduroso e penetrar até o tecido subcutâneo e, por isso, precisam ser associados a outros tratamentos.

Prevenção

Quando falamos de prevenção é concentrar-se nos «hábitos alimentares e no estilo de vida para tentar evitar a sua progressão».

Ao nível da alimentação, evite o excesso de peso, reduza a ingestão de sal (retém líquidos), beba água abundantemente, inclua fibras na sua alimentação porque combatem a prisão de ventre (que piora a celulite), reduza a ingestão de açúcares refinados e de gorduras saturadas, e dê prioridade aos carboidratos de absorção lenta (farinhas integrais, frutas, verduras) e às gorduras mono e poli-insaturadas (ómegas 3, 6 e 9). Para potenciar os efeitos dessas ações, não abuse do café nem do álcool.

Evite também o tabaco e fuja do sedentarismo e aposte no exercício físico regular, que estimula o retorno venoso nas pernas e diminui a camada de tecido subcutâneo (contribuindo para diminuir alguns dos fatores que estão associados à celulite). E se fizer tratamentos anticelulíticos, como os referidos acima, coloque-se sempre nas mãos de profissionais competentes.

>>>> Celulite e exercício físico

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