Diabetes e Exercício físico

Sabe-se de há muito que a diabetes e exercicio deverão ser dois factores inseparáveis, uma vez que a actividade muscular colabora de uma maneira muito importante ao consumir o excedente de glicose a circular no sangue.



A American Diabetes Association redefiniu recentemente a diabetes mellitus como sendo um grupo de doenças metabólicas caracterizada por hiperglicémia que resulta de um défice na secreção de insulina, na acção da insulina, ou de ambos. Os termos tipo I e tipo II (DBT2) são, actualmente, de uso exclusivo para se referir insulino-dependência ou não insulino dependência, ou diabetes mellitus, respectivamente.

A diabetes mellitus é um factor de risco importante para as doenças cardíacas e é a principal causa de cegueira no adulto, amputação, insuficiência renal e a quarta principal causa de morte.

Os principais benefícios do exercício num indivíduo com diabetes mellitus tipo II são a melhoria do controlo glicémico e a perda de peso, assim como a melhoria de parâmetros de saúde cardiometabólica, auto-estima e sensibilidade à insulina.

Adicionalmente, os indivíduos que são fisicamente activos têm menor probabilidade de desenvolver diabetes mellitus tipo II, relativamente aos indivíduos sedentários.

Exercicio e diabetes: As seguintes considerações devem assumir particular importância quando se prescreve exercício físico a indivíduos com diabetes mellitus:

• Devido ao maior risco de doença cardíaca, ir ao médico para avaliação e obtenção de um atestado.

• Monitorizar a glicose sanguínea regularmente, isto é, antes, durante e depois do exercício.

• Conhecer os sinais e sintomas de hipoglicémia, nomeadamente, tremores, nervosismo (ansiedade), sudação e cefaleias.

• Precauções ambientais durante condições extremas de calor ou frio. Ter cuidados próprios com os pés, devido à probabilidade de neuropatia periférica (disfunção do sistema nervoso). Se existir evidência de neuropatia, evitar actividades de alto-impacto.

• Ter atenção à frequência cardíaca, que, devido à neuropatia, pode não ser um indicador válido da intensidade do exercício.

• Equilibrar devidamente a ingestão de hidratos de carbono e medicação para evitar a hipoglicémia.

• Evitar praticar exercício se a glicose sanguínea exceder os 300mg/dl.

• Evitar praticar exercício durante o pico de actividade de insulina durante um período de uma hora após as injecções intramusculares e os exercícios realizados ao fim da tarde.

• Progredir gradualmente, principalmente com os indivíduos sedentários e/ou com excesso de peso .

• Se existir evidência de retinopatia (destruição das arteríolas retinianas com possível descolamento), ou de nefropatia (doença dos rins), evitar exercícios de elevada intensidade e de alto impacto.

• Enfatizar a RESPONSABILIADDE PESSOAL no controlo da doença e a importância do controlo dos níveis de glicose sanguínea, sob supervisão médica.

As linhas orientadoras para a prescrição do exercício para indivíduos com DBTI enfatizam a regularidade, e para a DBT2 dão maior relevância ao gasto calórico total, à glicose sanguínea e ao controlo de peso.

diabetes e exercicio-insulina-perda de peso-cardiaco Diabetes e Exercicio: Que tipo de exercício aeróbio?

Em princípio podemos assegurar que o trabalho aeróbio é reconhecido como adequado para quem tem DBT2. Uma das razões que fundamenta este tipo de exercício é que normalmente quem sofre tem muita gordura acumulada no interior das fibras musculares, e que esta situação limita a incorporação de glicose no interior do músculo.

Dado que o exercício tipo aeróbico utiliza gorduras como nutriente energético, isso a ajudará a diminuir a quantidade de triglicéridos intramusculares, o que pode favorecer a inclusão de açúcar no músculo e desta maneira baixar os níveis de glicose no sangue.

Verificou-se que as adaptações são específicas para os músculos que trabalham 8só as fibras envolvidas no exercício sofrerão mudanças benéficas), o que significa que quanto mais músculos estiverem envolvidos no exercício, maior será o benefício. Então as actividades que envolvam mais massa muscular serão as mais indicadas.

Diabetes e Exercicio: Principais recomendações

Que tipo de exercícios são aconselhados: A maioria das recentes investigações comunicam que a melhor da opção é realizar dois tipos de exercícios: aeróbios (caminhar, andar de bicicleta, nadar, fazer corridas, etc.) e treinos de força.

Frequência:

Cinco a sete dias/semana. Sugere-se diariamente aos indivíduos com diabetes tipo 1 para optimizarem o seu controlo da glicose sanguínea.

Em relação à frequência, investigações publicadas em 2009 indicam que deveria realizar-se 180 minutos de exercício por semana, o que implica dizer que neste caso, uma pessoa realiza 30 minutos de actividade aeróbia por dia e exercitar-se seis vezes por semana.

Diabetes e Exercicio: Tempo (Duração):

20 a 60 minutos por sessão. Considere a possibilidade de duas sessões diárias mais curtas para maximizar o gasto calórico dos indivíduos com diabetes mellitus tipo II.

Diabetes e Exercicio: Intensidade:

Diabetes Tipo I, 40-85% VO2 Reserva ou FC Reserva, 55 a 90% FC máxima

Diabetes Tipo II, 40-70% VO2 Reserva ou FC Reserva, 55 a 80% FC máx., escala de Borg 11- 16

Os mesmos trabalhos citados acima, mostram que a intensidade do esforço deve apresentar-se como vigorosa, o que implica dizer que o exercício deve manifestar-se como intenso para quem exercita. A exigência deve estar à volta de 70 por cento do consumo máximo de oxigénio da pessoa. Isto na prática significa, praticar exercício até chegar a um nível de começo de fadiga.

Diabetes e Exercicio: Tipo (Modalidade):

Exercício aeróbico complementado com treino de força muscular.

Nota: As intensidades do esforço que se consideram benéficas são elevadas e estes exercícios devem realizar-se quase toda a semana. Outros estudos, têm mencionado que no caso de se exercitar menos vezes mas mais tempo por sessão, os efeitos positivos observam-se estáveis durante 48h, sendo que a partir daí os benefícios começam rapidamente a perder-se. Assim a actividade, como se pode imaginar, e dado os reconhecidos efeitos positivos que a actividade física sistemática tem sobre quem sofre DBT2, a adesão ao exercício deve tornar-se algo para a vida!

Fontes:

- Médicos de Portugal.sapo.pt

- American Diabetes Association (ADA)


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